Os pneus OTR trabalham em algumas das operações mais exigentes do mercado.
Eles são utilizados em equipamentos que enfrentam cargas elevadas, terrenos irregulares, pedras, impactos, curvas fechadas, longos ciclos de trabalho e condições que podem gerar grande aquecimento.
Entre as máquinas que podem utilizar pneus OTR estão:
- Pás carregadeiras;
- Motoniveladoras;
- Retroescavadeiras;
- Mini carregadeiras;
- Caminhões fora de estrada;
- Dumpers articulados;
- Scrapers;
- Tratores de rodas;
- Compactadores;
- Equipamentos de mineração;
- Máquinas para pedreiras;
- Equipamentos portuários e industriais pesados.
Apesar de muitos desses pneus apresentarem medidas parecidas, eles não são todos iguais.
Um pneu desenvolvido para uma motoniveladora que trabalha nivelando estradas não necessariamente será a melhor opção para uma pá carregadeira que transporta pedras.
Da mesma forma, um pneu projetado para percorrer ciclos de transporte em maior velocidade pode precisar de características diferentes de outro destinado a uma carregadeira que trabalha lentamente, realizando manobras e carregamentos repetitivos.
Por isso, escolher um pneu OTR exige analisar muito mais do que:
- Medida;
- Preço;
- Marca;
- Quantidade de lonas;
- Profundidade visual da banda.
A escolha precisa considerar a máquina, a carga, o tipo de terreno, a distância percorrida, a velocidade, o ciclo operacional e os principais riscos presentes no local.
As classificações internacionais dividem os pneus OTR conforme o serviço realizado. Entre as principais categorias estão E para transporte de terra, G para motoniveladoras, L para carregadeiras e tratores de esteira sobre rodas e C para compactadores.
Neste guia, você entenderá como interpretar essas classificações e quais informações precisam ser reunidas antes da compra.

O que significa OTR?
OTR é a abreviação de Off-The-Road, expressão utilizada para identificar pneus destinados a equipamentos que trabalham fora das condições rodoviárias convencionais.
Esses pneus podem atuar em:
- Construção civil;
- Terraplanagem;
- Mineração;
- Pedreiras;
- Portos;
- Pátios industriais;
- Obras viárias;
- Agricultura pesada;
- Movimentação de materiais;
- Operações subterrâneas.
A principal diferença não está apenas no tamanho.
Os pneus OTR são desenvolvidos conforme exigências específicas, como:
- Resistência a cortes;
- Resistência a impactos;
- Capacidade de carga;
- Estabilidade;
- Tração;
- Flutuação;
- Resistência ao desgaste;
- Controle de temperatura;
- Desempenho em baixa ou maior velocidade;
- Proteção da carcaça.
A Bridgestone destaca que pneus OTR precisam ser combinados corretamente com o veículo, o serviço e as condições de operação. A empresa também recomenda consultar o fabricante quando o pneu for utilizado fora de sua finalidade original.
Nem todo pneu de máquina pesada possui a mesma classificação
Uma retroescavadeira pode utilizar desenhos classificados como R-4 ou industriais.
Uma pá carregadeira pode trabalhar com modelos L-2, L-3, L-4 ou L-5.
Uma motoniveladora pode utilizar classificações G-2, G-3, G-4 ou modelos com classificação combinada G-2/L-2.
Isso acontece porque a classificação acompanha a função do equipamento e o tipo de trabalho realizado.
O que analisar antes de escolher um pneu OTR?
Antes de solicitar uma cotação, reúna as seguintes informações.
1. Qual é a máquina?
Informe:
- Marca;
- Modelo;
- Ano;
- Versão;
- Capacidade;
- Configuração dos eixos;
- Aplicação principal.
Um pneu para pá carregadeira não deve ser escolhido apenas porque possui a mesma medida encontrada em uma motoniveladora.
2. Qual é a medida completa?
Exemplos:
- 10-16.5;
- 12-16.5;
- 12.5/80-18;
- 14-17.5;
- 16.9-24;
- 19.5L-24;
- 1300-24;
- 1400-24;
- 17.5-25;
- 20.5-25;
- 23.5-25;
- 26.5-25.
Também devem ser informados:
- Quantidade de lonas ou PR;
- Star Rating, quando houver;
- TL ou TT;
- Código de aplicação;
- Índice de carga e velocidade, quando presentes;
- Modelo atual.
3. Onde a máquina trabalha?
Descreva o terreno:
- Terra compactada;
- Solo solto;
- Areia;
- Lama;
- Cascalho;
- Pedra britada;
- Rocha cortante;
- Concreto;
- Asfalto;
- Pátio industrial;
- Interior de mina;
- Operação subterrânea.
4. Qual trabalho é realizado?
Exemplos:
- Escavação;
- Carregamento;
- Transporte;
- Nivelamento;
- Empilhamento;
- Deslocamento de materiais;
- Limpeza;
- Compactação;
- Operação de carga e transporte;
- Trabalho em pedreira;
- Trabalho em mina;
- Construção de estrada.
5. Qual é o ciclo operacional?
Informe:
- Distância percorrida por ciclo;
- Quantidade de ciclos;
- Horas trabalhadas por turno;
- Velocidade média;
- Velocidade máxima;
- Tempo de máquina parada;
- Distância percorrida carregada;
- Distância percorrida vazia.
Carga, velocidade e distância influenciam diretamente a geração de calor e a escolha do pneu. A Michelin relaciona a vida útil dos pneus ao ciclo, à velocidade média, ao tipo de estrada, à distribuição da carga, à posição no veículo e à manutenção.

Como funciona a classificação dos pneus OTR?
A classificação é normalmente formada por:
- Uma letra que representa o serviço;
- Um número que representa o tipo ou a profundidade do desenho.
As principais letras são:
A classificação mostra a aplicação inicial do pneu, mas alguns produtos possuem códigos combinados, como:
- E-3/L-3;
- G-2/L-2;
- E-3/G-3;
- E-4/L-4.
Um código combinado indica que o modelo foi desenvolvido ou aprovado para mais de um serviço, dentro das condições estabelecidas pelo fabricante.
Classificação L: pneus para carregadeiras
A letra L está relacionada principalmente a carregadeiras e equipamentos que trabalham em baixa velocidade.
A classificação pode ser encontrada em:
- Pá carregadeira;
- Carregadeira frontal;
- Trator de rodas;
- Algumas retroescavadeiras;
- Equipamentos subterrâneos;
- Máquinas de carregamento.
Pneu L-2
O L-2 é classificado como um desenho de tração de profundidade regular.
Pode ser encontrado em operações que priorizam:
- Tração;
- Autolimpeza;
- Mobilidade;
- Terreno solto;
- Solo macio;
- Lama moderada;
- Nivelamento;
- Aplicações gerais de carregamento.
Sua banda tende a ser menos profunda do que a de um L-4 ou L-5.
Na categoria OTR da Fama Pneus existem atualmente produtos L-2 em medidas como 10-16.5, 14-17.5, 17.5-25, 1300-24 e 1400-24, dependendo da disponibilidade.
Pneu L-3
O L-3 é classificado como desenho para rocha com profundidade regular.
É uma das classificações mais conhecidas em pás carregadeiras.
Pode oferecer equilíbrio entre:
- Tração;
- Estabilidade;
- Resistência ao desgaste;
- Resistência a cortes;
- Autolimpeza;
- Utilização em terra, cascalho e rocha moderada.
É encontrado em:
- Construção civil;
- Terraplanagem;
- Pedreiras;
- Pátios;
- Carregamento de agregados;
- Operação em solo compactado.
A categoria de pá carregadeira da Fama Pneus possui opções L-3 em medidas como 17.5-25 e 20.5-25.
Pneu L-4
O L-4 possui banda mais profunda do que o L-3.
Na classificação mostrada pela Bridgestone:
- L-3 representa profundidade regular;
- L-4 representa banda profunda;
- L-5 representa banda extraprofundada.
O desenho profundo do L-4 corresponde aproximadamente a 150% da referência regular utilizada na classificação.
O L-4 pode ser indicado quando existe necessidade de:
- Maior volume de borracha;
- Resistência ao desgaste;
- Tração;
- Proteção contra cortes;
- Operação mais severa;
- Maior vida da banda em baixa velocidade.
Pneu L-5
O L-5 possui banda extraprofundada, chegando a aproximadamente 250% da profundidade de referência regular na classificação apresentada pela Bridgestone.
É destinado a condições severas, como:
- Pedreiras;
- Mineração;
- Rocha agressiva;
- Operações subterrâneas;
- Resíduos;
- Ambientes com alto risco de cortes;
- Trabalho pesado em baixa velocidade.
Pode apresentar:
- Blocos muito profundos;
- Ombros protegidos;
- Maior volume de borracha;
- Compostos resistentes;
- Alta resistência a impactos.
L-5S
O código L-5S normalmente identifica um pneu extraprofundado de banda lisa.
Ele pode ser utilizado em determinadas operações subterrâneas, mineração e ambientes nos quais a resistência a cortes possui prioridade sobre a tração.
Não deve ser escolhido somente pela aparência lisa.
A aplicação precisa estar prevista pelo fabricante.

L-2, L-3, L-4 ou L-5: qual é melhor?
Não existe uma classificação universalmente superior.
O melhor pneu será aquele compatível com o trabalho realizado.
Quando um L-2 pode ser mais adequado?
- Solo solto;
- Necessidade de tração;
- Lama moderada;
- Motonivelamento;
- Operações menos agressivas;
- Ciclos em que a limpeza da banda é importante.
Quando um L-3 pode ser mais adequado?
- Operação geral de pá carregadeira;
- Terra compactada;
- Cascalho;
- Pedra moderada;
- Construção;
- Carregamento de agregados;
- Busca por equilíbrio entre resistência e aquecimento.
Quando considerar um L-4?
- Maior abrasividade;
- Necessidade de banda profunda;
- Baixa velocidade;
- Maior exposição a pedras;
- Operação mais severa;
- Busca por resistência ao desgaste.
Quando considerar um L-5?
- Rocha severa;
- Mineração;
- Pedreira pesada;
- Operação subterrânea;
- Alta exposição a cortes;
- Ciclos curtos;
- Velocidades reduzidas;
- Necessidade de máxima proteção.
Por que o L-5 não é automaticamente o melhor?
Quanto mais profunda é a banda, maior tende a ser o volume de borracha que se flexiona e produz calor.
Um L-5 utilizado em ciclos longos ou em velocidade inadequada pode acumular temperatura excessiva.
Por isso, profundidade, composto, velocidade, carga e ciclo precisam ser avaliados juntos.
Classificação G: pneus para motoniveladoras
A letra G está relacionada ao serviço de motoniveladoras.
Esses equipamentos precisam de:
- Tração;
- Estabilidade direcional;
- Capacidade de manobra;
- Resistência lateral;
- Controle durante o nivelamento;
- Bom funcionamento em terrenos variados.
As principais classificações são:
G-1
Desenho de nervuras, utilizado em aplicações que priorizam direcionamento.
G-2
Desenho de tração regular.
É encontrado em motoniveladoras que trabalham em:
- Terra;
- Solo solto;
- Manutenção de vias;
- Nivelamento;
- Lama moderada;
- Operações gerais.
G-3
Desenho para rocha com profundidade regular.
Pode atender condições em que se busca:
- Tração;
- Resistência;
- Estabilidade;
- Trabalho em cascalho;
- Terreno compactado;
- Operações mais abrasivas.
G-4
Desenho profundo para condições mais severas.
Pode oferecer maior volume de borracha e resistência, desde que o ciclo e a velocidade sejam compatíveis.
A Bridgestone classifica G-1 como nervurado, G-2 como tração, G-3 como rocha regular e G-4 como rocha profunda.
Na categoria de motoniveladoras da Fama Pneus existem modelos 1300-24 e 1400-24 com classificação combinada G-2/L-2, além de opções 17.5-25.
Classificação E: pneus de transporte fora de estrada
A letra E está relacionada a equipamentos que transportam materiais.
Entre eles:
- Caminhões rígidos fora de estrada;
- Dumpers articulados;
- Scrapers;
- Caminhões de mineração;
- Equipamentos de transporte de terra.
Ao contrário de uma carregadeira, esses veículos podem percorrer distâncias maiores e trabalhar em velocidades mais elevadas.
Por isso, o controle de temperatura ganha grande importância.
E-2
Desenho de tração.
Pode ser utilizado em terrenos nos quais é necessária aderência elevada.
E-3
Desenho para rocha com profundidade regular.
Busca equilíbrio entre:
- Resistência;
- Desgaste;
- Temperatura;
- Tração;
- Velocidade;
- Ciclos de transporte.
E-4
Desenho profundo para rocha.
Possui maior profundidade do que o E-3 e pode ser aplicado em condições mais abrasivas, desde que a velocidade e o ciclo sejam compatíveis.
E-7
Classificação voltada para flutuação, encontrada em determinadas operações sobre areia ou solo macio.
A classificação E apresentada pela Bridgestone separa E-2 para tração, E-3 para rocha regular, E-4 para rocha profunda e E-7 para flutuação.
Classificação C: pneus para compactadores
Pneus C são destinados a equipamentos de compactação.
C-1
Banda lisa.
É encontrada em compactadores que precisam pressionar e compactar o material de maneira uniforme.
C-2
Banda com ranhuras.
Pode atender determinadas necessidades de aderência e funcionamento da máquina.
A banda lisa não representa desgaste completo nesse tipo de pneu.
Ela é uma característica do projeto.
Por isso, pneus de compactador devem ser avaliados conforme:
- Espessura de borracha restante;
- Danos;
- Cortes;
- Integridade da carcaça;
- Condições de trabalho;
- Recomendação do fabricante.
Como ler uma medida de pneu OTR?
Exemplo: 17.5-25
- 17.5: largura nominal da seção em polegadas;
- Hífen: construção diagonal;
- 25: diâmetro do aro em polegadas.
Exemplo: 17.5R25
- 17.5: largura nominal em polegadas;
- R: construção radial;
- 25: aro.
Exemplo: 20.5-25
- 20.5: largura nominal em polegadas;
- Hífen: construção diagonal;
- 25: aro.
Exemplo: 12.5/80-18
- 12.5: largura nominal;
- 80: série ou relação de perfil da nomenclatura;
- Hífen: construção diagonal;
- 18: aro.
Exemplo: 1300-24
A escrita comercial 1300-24 corresponde à nomenclatura tradicional:
- 13.00: largura nominal em polegadas;
- Hífen: construção diagonal;
- 24: aro.
O que mais deve ser conferido?
Além da medida:
- PR ou lonas;
- Star Rating;
- Código L, E, G ou C;
- TL ou TT;
- Composto;
- Capacidade de carga;
- Velocidade;
- Roda recomendada;
- Válvula;
- Câmara e protetor, quando utilizados.
A lateral de um pneu OTR pode apresentar marca, desenho, medida, classificação, número de série, Star Rating e indicação Tubeless ou Tube Type.

Pneu OTR radial ou diagonal?
Pneu diagonal
No pneu diagonal, as lonas são cruzadas em ângulos.
Essa construção tende a proporcionar:
- Laterais mais rígidas;
- Boa estabilidade em baixa velocidade;
- Resistência lateral;
- Custo inicial geralmente menor;
- Aplicação tradicional em carregadeiras e motoniveladoras;
- Boa resistência em determinadas operações.
Pneu radial
No pneu radial, a carcaça possui disposição radial e a banda é estabilizada por cintas.
Entre os possíveis benefícios estão:
- Maior área de contato;
- Menor geração de calor;
- Mais conforto;
- Melhor tração;
- Desgaste mais uniforme;
- Menor resistência ao rolamento;
- Potencial de maior produtividade.
Qual escolher?
A decisão depende de:
- Tipo de máquina;
- Carga;
- Velocidade;
- Distância;
- Terreno;
- Ciclo;
- Horas trabalhadas;
- Disponibilidade;
- Investimento;
- Risco de cortes;
- Necessidade de estabilidade lateral.
Não é recomendado misturar pneus radiais e diagonais no mesmo eixo.
Também é importante verificar se a máquina foi homologada para a configuração desejada.
O que é Star Rating?
O Star Rating é uma classificação estrutural encontrada principalmente em pneus OTR radiais.
Ela está relacionada à capacidade da carcaça para determinadas condições de:
- Carga;
- Pressão;
- Velocidade;
- Serviço.
Um mesmo tamanho pode possuir Star Ratings diferentes conforme a aplicação.
A Bridgestone apresenta exemplos de um mesmo pneu que assume diferentes capacidades e pressões quando classificado para carregadeira ou transporte de terra. Isso demonstra que o número de estrelas precisa ser interpretado junto com a finalidade do pneu.
Star Rating não é apenas “quanto mais, melhor”
Mais estrelas podem representar maior capacidade em determinadas condições, mas a escolha precisa considerar:
- Serviço;
- Velocidade;
- Pressão;
- Carga;
- Tipo de máquina;
- Limite da roda.
O que significam PR e lonas?
PR significa Ply Rating.
Essa classificação indica uma categoria de resistência estrutural, mas não deve ser interpretada necessariamente como o número físico de camadas existentes no pneu.
Um pneu anunciado como 16 lonas precisa ser analisado junto com:
- Medida;
- Carga;
- Pressão;
- Velocidade;
- Construção;
- Aplicação;
- Roda;
- Classificação OTR.
Não escolha um pneu somente porque ele possui mais lonas do que outro.
Um produto de 20 lonas pode ser inadequado para determinada máquina ou ciclo, mesmo aparentando maior resistência.
TL, TT, câmara, protetor e anel de vedação
TL — Tubeless
Indica pneu desenvolvido para trabalhar sem câmara, quando instalado em roda compatível e em boas condições.
O conjunto pode utilizar:
- Roda multiparte;
- Anel de vedação;
- Válvula;
- Componentes específicos.
TT — Tube Type
Indica pneu desenvolvido para trabalhar com câmara.
Dependendo da roda e da aplicação, também pode utilizar protetor.
A Fama Pneus possui câmaras OTR em medidas como 17.5-25, 20.5-25, 23.5-25, 26.5-25, 1400-24, 10-16.5 e 12-16.5. A disponibilidade deve ser confirmada no momento do pedido.
Não improvise os componentes
A câmara, a válvula, o protetor e o anel precisam ser compatíveis com:
- Medida;
- Roda;
- Aplicação;
- Tipo de montagem;
- Pressão;
- Pneu utilizado.
Consulte as câmaras de ar OTR disponíveis.
O que é TKPH?
TKPH significa Ton-Kilometer Per Hour, ou tonelada-quilômetro por hora.
É um indicador utilizado principalmente em pneus de transporte de terra, mineração e operações com ciclos.
Ele relaciona:
- Carga média suportada pelo pneu;
- Distância percorrida;
- Quantidade de ciclos;
- Horas trabalhadas;
- Velocidade média.
De forma simplificada:
TKPH operacional = carga média do pneu × velocidade média do turno
A carga média considera o pneu carregado e vazio.
A velocidade média do turno considera a distância total percorrida e as horas efetivamente trabalhadas.
O TKPH ajuda a estimar quanto trabalho o pneu realizará e se sua capacidade térmica é suficiente.
A Bridgestone explica que o transporte de cargas pesadas por distâncias maiores gera calor. Quando o pneu trabalha acima do TKPH para o qual foi projetado, pode ocorrer deterioração e falha prematura.
Exemplo simplificado
Considere um pneu que suporte:
- 12 toneladas carregado;
- 8 toneladas vazio.
Carga média:
(12 + 8) ÷ 2 = 10 toneladas
Caso a velocidade média do turno seja 15 km/h:
TKPH operacional = 10 × 15
TKPH operacional = 150
O pneu escolhido precisa possuir TKPH compatível com a operação, considerando também:
- Temperatura ambiente;
- Distância do ciclo;
- Velocidade máxima;
- Composto;
- Modelo;
- Condições definidas pelo fabricante.
A fórmula pode variar entre fabricantes, portanto o exemplo não substitui um estudo técnico.

Resistência ao calor ou resistência a cortes?
Esse é um dos principais equilíbrios na escolha de pneus OTR.
Composto resistente ao calor
Pode ser necessário em operações com:
- Ciclos longos;
- Maior velocidade;
- Clima quente;
- Pouco tempo de parada;
- Transporte contínuo;
- Estradas bem mantidas.
Composto resistente a cortes
Pode ser necessário em:
- Pedreiras;
- Mineração;
- Rocha cortante;
- Entulho;
- Operações subterrâneas;
- Terreno agressivo;
- Baixa velocidade.
Um composto extremamente resistente a cortes não necessariamente possui a maior capacidade de dissipar calor.
A Bridgestone indica que pneus com TKPH mais elevado tendem a gerar menos calor, enquanto compostos de TKPH menor podem oferecer maior resistência a cortes e desgaste.
A decisão exige avaliar o principal motivo de retirada dos pneus atuais:
- Desgaste;
- Cortes;
- Perfurações;
- Aquecimento;
- Separação;
- Impactos;
- Falhas na lateral;
- Danos no talão.
Pressão, carga e velocidade
A pressão correta permite que o pneu:
- Suporte a carga;
- Mantenha a área de contato;
- Controle a flexão;
- Trabalhe dentro da temperatura;
- Preserve a carcaça;
- Evite desgaste irregular.
Pressão baixa
Pode provocar:
- Flexão excessiva;
- Aquecimento;
- Danos na lateral;
- Desgaste irregular;
- Perda de estabilidade;
- Separação de componentes;
- Falha prematura.
Pressão alta
Pode provocar:
- Menor área de contato;
- Menor resistência a impactos;
- Cortes;
- Desgaste central;
- Perda de tração;
- Maior agressão à carcaça.
Sobrecarga
Pode causar:
- Aumento de temperatura;
- Flexão excessiva;
- Enfraquecimento da lateral;
- Danos no talão;
- Redução da vida útil;
- Falha mesmo com banda ainda disponível.
Velocidade excessiva
Aumenta a frequência de flexão e pode elevar a temperatura interna a níveis perigosos.
A Michelin relaciona subinflação, sobreinflação, excesso de carga, velocidade e impactos repetidos aos principais danos encontrados em pneus de máquinas pesadas.
A pressão deve ser medida com o pneu frio
A pressão aumenta durante o funcionamento por causa do calor.
Não se deve retirar ar de um pneu quente apenas porque a leitura ficou acima da pressão a frio.
O valor precisa ser conferido conforme o procedimento e a tabela do fabricante. A Michelin orienta que as inspeções de pressão sejam realizadas preferencialmente com o pneu frio e alerta para não desinflar pneus aquecidos.
Por que a temperatura é tão importante?
Durante a rotação, o pneu deforma a cada passagem pela área de contato.
Parte dessa energia é transformada em calor.
A temperatura aumenta com:
- Carga;
- Velocidade;
- Flexão;
- Pressão incorreta;
- Ciclos longos;
- Curvas;
- Frenagens;
- Temperatura ambiente;
- Calor dos freios;
- Pouco tempo de descanso.
Quando o calor não é dissipado, podem ocorrer:
- Separação da banda;
- Separação da carcaça;
- Danos internos;
- Degradação da borracha;
- Falhas irreversíveis.
A Michelin identifica a temperatura operacional como um dos principais fatores relacionados a separações e danos estruturais em pneus OTR.
Sinais que precisam ser investigados
- Pneu muito mais quente que os demais;
- Pressão aumentando de forma anormal;
- Odor de borracha;
- Deformação;
- Separação;
- Vibração;
- Escurecimento;
- Danos próximos à roda;
- Aquecimento dos freios.
Sistemas de monitoramento de pressão e temperatura podem ajudar a identificar desvios antes de uma falha, especialmente em operações de mineração e pedreiras.

Como escolher pneu para cada máquina?
Pá carregadeira
A pá carregadeira trabalha em ciclos repetitivos de:
- Avanço;
- Carregamento;
- Recuo;
- Curva;
- Transporte;
- Descarga.
As principais exigências são:
- Tração;
- Estabilidade;
- Resistência lateral;
- Resistência a cortes;
- Capacidade de carga;
- Proteção dos ombros;
- Compatibilidade com a distância transportada.
Operação em terra ou solo solto
Pode favorecer desenhos L-2 ou L-3, conforme a severidade.
Operação em cascalho ou pedra
Pode exigir L-3 ou L-4 com composto resistente a cortes.
Pedreira severa
Pode exigir L-4 ou L-5, baixa velocidade e controle térmico.
Operação de carga e transporte
Quando a carregadeira percorre distâncias maiores carregando material, não basta escolher a banda mais profunda.
O calor e o ciclo precisam ser calculados.
Consulte os pneus para pá carregadeira.
Motoniveladora
A motoniveladora precisa de:
- Tração;
- Controle direcional;
- Estabilidade;
- Resistência lateral;
- Capacidade de nivelamento;
- Autolimpeza.
Desenhos G-2 ou classificados como G-2/L-2 são comuns em operações de terra e manutenção de estradas.
Em terrenos mais abrasivos, podem ser avaliados G-3 ou G-4, conforme disponibilidade e recomendação.
A medida 1300-24 e a 1400-24 são encontradas em diferentes aplicações de motoniveladoras, enquanto alguns equipamentos utilizam 17.5-25. A categoria da Fama Pneus reúne atualmente opções nessas medidas.
Consulte os pneus para motoniveladora.
Retroescavadeira
A retroescavadeira combina características agrícolas, industriais e OTR.
Ela pode trabalhar em:
- Terra;
- Obras;
- Asfalto;
- Concreto;
- Pátios;
- Lama;
- Terrenos irregulares.
São encontradas medidas como:
- 12.5/80-18;
- 16.9-24;
- 19.5L-24;
- 14-17.5.
Os pneus dianteiros e traseiros exercem funções diferentes.
Também é necessário avaliar:
- Tração;
- Utilização do carregador frontal;
- Estabilidade;
- Deslocamentos em piso rígido;
- Resistência da banda;
- Compatibilidade entre eixos.
A categoria de retroescavadeiras da Fama Pneus possui atualmente modelos 12.5/80-18, 14-17.5, 16.9-24 e 19.5L-24, conforme o estoque.
Consulte os pneus para retroescavadeira.
Mini carregadeira
Mini carregadeiras realizam muitas curvas e manobras por deslizamento.
Esse movimento produz forte arraste sobre a banda.
O pneu precisa oferecer:
- Resistência ao desgaste;
- Proteção lateral;
- Tração;
- Estabilidade;
- Resistência a cortes;
- Capacidade para pisos diferentes.
Medidas comuns incluem:
- 10-16.5;
- 12-16.5;
- 14-17.5.
O desenho pode variar conforme o equipamento trabalhe em:
- Terra;
- Concreto;
- Asfalto;
- Resíduos;
- Construção;
- Pátio industrial;
- Lama.
A categoria OTR da Fama Pneus possui opções nessas medidas, classificadas como L-2, SKS-1 e desenhos para mini carregadeiras.
Caminhão fora de estrada e dumper
Esses equipamentos transportam cargas por ciclos.
As principais informações são:
- Carga por pneu;
- Velocidade;
- Distância;
- Número de ciclos;
- Horas;
- TKPH;
- Temperatura;
- Condição das vias;
- Inclinação;
- Curvas;
- Frenagem.
Um pneu com classificação E deve ser escolhido considerando o equilíbrio entre:
- Resistência a cortes;
- Desgaste;
- Aquecimento;
- Tração;
- Profundidade;
- Produtividade.
A Caterpillar alerta que, em algumas condições de trabalho, a produtividade de caminhões fora de estrada pode superar a capacidade TKPH dos pneus, tornando necessária uma avaliação específica da operação.
O local de trabalho influencia a vida do pneu
Mesmo o pneu correto pode apresentar baixo desempenho quando as vias estão mal conservadas.
Problemas no trajeto
- Pedras soltas;
- Buracos;
- Valetas;
- Curvas muito fechadas;
- Inclinações excessivas;
- Pontos de frenagem;
- Água acumulada;
- Material derramado;
- Objetos cortantes;
- Piso irregular.
Problemas no carregamento
- Material caindo sobre os pneus;
- Sobrecarga;
- Distribuição desigual;
- Colisão contra a pilha;
- Patinagem;
- Giro excessivo das rodas.
Problemas no descarregamento
- Terreno inclinado;
- Manobras apertadas;
- Objetos no piso;
- Frenagem brusca;
- Material acumulado.
A Michelin recomenda manutenção das vias, das áreas de carga e descarga e a remoção de obstáculos para reduzir cortes, perfurações e impactos.
Inspeção preventiva de pneus OTR
Uma inspeção deve verificar:
Na banda de rodagem
- Cortes;
- Perfurações;
- Pedras presas;
- Arrancamento de blocos;
- Desgaste irregular;
- Separações;
- Profundidade;
- Aquecimento anormal.
Nas laterais
- Cortes;
- Rachaduras;
- Bolhas;
- Marcas de impacto;
- Atrito;
- Deformações;
- Exposição da carcaça.
No talão
- Danos;
- Deslocamento;
- Aquecimento;
- Marcas de montagem;
- Vazamentos;
- Contaminação.
Na roda
- Trincas;
- Corrosão;
- Deformação;
- Vazamentos;
- Anel mal posicionado;
- Componentes incompatíveis;
- Válvula danificada.
No conjunto
- Pressão;
- Temperatura;
- Diferença de diâmetro;
- Desgaste entre lados;
- Alinhamento;
- Suspensão;
- Freios;
- Sobrecarga.
A Michelin recomenda conferir pressão, aparência da banda, desgaste, profundidade, laterais, roda e objetos presos em montagens duplas.

Como calcular o custo real de um pneu OTR?
Em operações OTR, o custo não deve ser avaliado somente pela unidade comprada.
É necessário acompanhar:
- Horas trabalhadas;
- Toneladas movimentadas;
- Produção;
- Motivo da retirada;
- Custos de reparo;
- Paradas;
- Consumo;
- Disponibilidade;
- Aproveitamento da carcaça.
Custo por hora
Uma análise inicial pode utilizar:
Custo por hora = custo total do pneu ÷ horas trabalhadas
Exemplo:
- Custo do pneu: R$ 8.000;
- Vida útil: 2.000 horas.
Custo por hora = R$ 4
Esse cálculo pode ser ampliado com:
- Montagem;
- Reparos;
- Paradas;
- Perda de produção;
- Carcaça;
- Valor residual;
- Danos prematuros.
Um pneu mais caro pode apresentar custo por hora menor quando trabalha mais tempo e reduz paradas.
Da mesma forma, um pneu barato pode representar um custo elevado caso seja retirado por cortes ou aquecimento antes de consumir a banda.
Para compreender a lógica de custo operacional, consulte também o conteúdo sobre CPK no pneu.
Checklist para escolher pneus OTR
Antes de fechar o pedido, confirme:
- Qual é a máquina?
- Qual é a marca e o modelo?
- Qual é a medida completa?
- O pneu é radial ou diagonal?
- Qual é a classificação atual?
- É L-2, L-3, L-4, L-5, G-2, G-3, E-3 ou outra?
- É TL ou TT?
- Qual é o PR ou Star Rating?
- Qual é a carga real?
- Qual é a pressão recomendada?
- Qual é a velocidade média?
- Qual é a velocidade máxima?
- Qual é a distância de cada ciclo?
- Quantos ciclos são realizados?
- Quantas horas a máquina trabalha?
- Qual é o terreno?
- Existem pedras cortantes?
- Existe lama?
- A máquina percorre asfalto?
- O problema atual é desgaste, corte ou calor?
- Qual é a condição da roda?
- Existe câmara, protetor ou anel compatível?
- Os pneus do mesmo eixo possuem desgaste semelhante?
- Qual é o objetivo: resistência, tração, horas ou produtividade?
- Existe disponibilidade para reposição?
Erros comuns ao comprar pneus OTR
Escolher somente pela medida
A mesma medida pode existir em classificações e construções diferentes.
Considerar que L-5 é sempre melhor que L-3
A banda mais profunda pode gerar mais calor e ser inadequada para ciclos longos.
Comprar somente pela quantidade de lonas
PR não substitui carga, velocidade, classificação ou aplicação.
Ignorar o ciclo operacional
Distância e velocidade podem tornar um pneu inadequado mesmo quando ele possui boa resistência a cortes.
Utilizar pneu de carregadeira em transporte
Os serviços possuem limites diferentes de carga e velocidade.
Não verificar a roda
Roda, anéis, válvula e componentes precisam ser compatíveis.
Misturar radial e diagonal
A diferença de comportamento pode prejudicar estabilidade e desgaste.
Não controlar a pressão
Pressão incorreta está entre as principais causas de aquecimento e falhas.
Ignorar as condições das vias
Buracos, pedras e curvas podem reduzir significativamente a vida do pneu.
Esperar o pneu falhar para inspecionar
Uma inspeção preventiva pode identificar cortes e vazamentos antes de uma parada.
Perguntas frequentes sobre pneus OTR
1 - Qual é a diferença entre pneu L-2 e L-3?
O L-2 é um desenho de tração regular.
O L-3 é um desenho para rocha de profundidade regular, frequentemente utilizado em carregadeiras.
A escolha depende do terreno, da máquina e da necessidade de tração ou resistência.
2 - Qual é a diferença entre L-3 e L-5?
O L-3 possui profundidade regular.
O L-5 possui banda extraprofundada, maior volume de borracha e aplicação voltada a condições severas e baixas velocidades.
3 - O L-5 dura mais?
Pode oferecer mais horas em operações adequadas, mas não é automaticamente mais durável.
Em ciclos longos ou velocidades excessivas, a banda profunda pode acumular calor.
4 - O que significa G-2/L-2?
Significa que o pneu possui classificação combinada para serviço de motoniveladora e carregadeira, dentro das condições estabelecidas pelo fabricante.
5 - O que significa E-3/L-3?
Indica um modelo aprovado para determinadas aplicações de transporte de terra e carregadeira.
6 - Pneu OTR radial é melhor?
Pode oferecer vantagens em conforto, contato, temperatura e desgaste.
O diagonal pode ser mais adequado em aplicações específicas. A decisão depende do ciclo e da máquina.
7 - Como saber a pressão correta?
A pressão deve ser definida conforme:
- Carga;
- Velocidade;
- Serviço;
- Construção;
- Medida;
- Tabela do fabricante.
8 - Pneu TL pode usar câmara?
A instalação não deve ser feita sem avaliar o pneu, a roda e a recomendação do fabricante.
O uso de câmara não corrige automaticamente vazamento ou dano na roda.
9 - O que é TKPH?
É um indicador que relaciona carga média e velocidade média para avaliar a exigência térmica do pneu.
10 - Qual pneu usar em pá carregadeira?
Depende do terreno e do ciclo.
L-2, L-3, L-4 e L-5 podem ser encontrados em diferentes operações de carregadeira.
11 - Qual pneu usar em motoniveladora?
Desenhos G-2, G-3, G-4 ou códigos combinados G-2/L-2 podem ser utilizados, conforme o terreno e a recomendação técnica.
12 - Quando trocar um pneu OTR?
A retirada deve considerar:
- Danos estruturais;
- Cortes;
- Separações;
- Exposição da carcaça;
- Falhas;
- Profundidade;
- Desempenho;
- Segurança;
- Possibilidade de reparo.
A escolha correta começa pela operação
Um pneu OTR precisa ser escolhido a partir da combinação de:
- Máquina;
- Medida;
- Classificação;
- Construção;
- Carga;
- Pressão;
- Velocidade;
- Distância;
- Terreno;
- Temperatura;
- Ciclo;
- Riscos do local;
- Objetivo da operação.
De forma geral:
- L-2: tração regular;
- L-3: rocha e profundidade regular;
- L-4: rocha e banda profunda;
- L-5: banda extraprofundada para serviço severo;
- G-2: tração para motoniveladoras;
- G-3: rocha regular para motoniveladoras;
- E-3: transporte de terra com banda regular;
- E-4: transporte em rocha com banda profunda;
- C-1: banda lisa para compactadores.
Essa classificação orienta a escolha, mas não substitui a ficha técnica.
A Fama Pneus trabalha com pneus OTR para motoniveladoras, pás carregadeiras, retroescavadeiras, mini carregadeiras e outras máquinas pesadas.
A categoria possui atualmente modelos de marcas como MRL, Malhotra, Advance, JK, Speedways, Speedmax e Durable, conforme a disponibilidade do estoque.
Consulte os pneus OTR disponíveis ou envie para nossa equipe:
- Foto da lateral;
- Medida;
- Máquina;
- Quantidade;
- Terreno;
- Cidade;
- Tipo de trabalho.
Fama Pneus, a sua melhor solução.
