Quando uma empresa compra pneus apenas quando um veículo precisa parar para trocar, a compra tende a virar uma emergência.
E compras emergenciais normalmente reduzem o poder de negociação.
A equipe passa a perguntar:
“Quem tem esse pneu disponível agora?”
quando a pergunta ideal deveria ser:
“Qual produto entrega o melhor resultado técnico e econômico para esta aplicação?”
Para uma empresa com:
- Caminhões;
- Ônibus;
- Vans;
- Tratores;
- Retroescavadeiras;
- Pás carregadeiras;
- Motoniveladoras;
- Empilhadeiras;
- Equipamentos industriais;
pneus não deveriam ser tratados somente como peças de reposição.
Eles representam um ativo operacional que interfere diretamente em disponibilidade, segurança, produtividade e custo.
Por isso, uma boa compra empresarial precisa conectar quatro áreas:
Operação → Manutenção → Compras → Financeiro
Quando essas áreas trabalham separadamente, surgem problemas como:
- Compra da medida errada;
- Produto incompatível com o eixo;
- Excesso de modelos diferentes;
- Falta de padronização;
- Estoque parado;
- Compra emergencial;
- Pneus inadequados à operação;
- Perda de carcaças;
- Falta de reposição;
- Comparação somente por preço.
Uma gestão melhor segue outro caminho:
necessidade → especificação → cotação → comparação → aprovação → recebimento → montagem → acompanhamento → análise do resultado
É esse processo que vamos detalhar neste guia.

Por que a compra empresarial é diferente da compra individual?
Um consumidor pode precisar de quatro pneus.
Uma empresa pode administrar:
- Dezenas;
- Centenas;
- Milhares de posições.
Isso muda completamente a lógica.
Uma decisão aparentemente pequena pode ser multiplicada por dezenas de veículos.
Imagine uma diferença de apenas:
R$ 100 por pneu
Em uma compra de 100 unidades:
R$ 10.000 de diferença inicial.
Mas olhar apenas isso ainda é insuficiente.
Se o pneu R$ 100 mais caro durar significativamente mais, reduzir paradas ou preservar melhor a carcaça, a alternativa inicialmente mais cara pode apresentar menor custo operacional.
É por isso que empresas precisam distinguir:
Preço de compra
Quanto foi pago na nota fiscal.
Custo de utilização
Quanto o pneu realmente custou enquanto trabalhou.
Esses valores podem ser muito diferentes.
O primeiro erro: compras receber apenas a medida
Imagine que a manutenção envie ao setor de compras:
8 pneus 295/80R22.5.
Ainda faltam informações.
Existem pneus 295/80R22.5:
- Direcionais;
- De tração;
- Lisos;
- Mistos;
- Com diferentes índices de carga;
- Com diferentes índices de velocidade;
- Com diferentes classificações estruturais.
O catálogo atual da Fama Pneus mostra justamente essa diversidade no aro 22.5, com modelos 275/80R22.5 e 295/80R22.5 de desenhos e descrições de serviço diferentes.
Uma solicitação empresarial mais completa deveria informar, por exemplo:
8 pneus 295/80R22.5, para eixo direcional, caminhão rodoviário, índice mínimo de carga conforme especificação do veículo, operação predominantemente em asfalto.
Agora o comprador consegue comparar produtos tecnicamente semelhantes.
Etapa 1 — Mapear a frota
Antes de comprar pneus de maneira recorrente, a empresa deveria conhecer sua própria frota.
Crie uma relação com:
- Veículo;
- Placa;
- Marca;
- Modelo;
- Ano;
- Quantidade de eixos;
- Medidas;
- Posição dos pneus;
- Quantidade por medida;
- Aplicação;
- Quilometragem mensal;
- Carga média;
- Tipo de rota.
Para máquinas:
- Equipamento;
- Fabricante;
- Modelo;
- Medidas dianteiras;
- Medidas traseiras;
- Construção;
- Horas mensais;
- Terreno;
- Aplicação.
Exemplo
A partir desse mapa, o setor de compras consegue saber quais medidas são realmente estratégicas.
Etapa 2 — Classificar os pneus por criticidade
Nem toda medida merece o mesmo estoque ou nível de atenção.
Uma empresa pode classificar os pneus em:
Classe A — críticos
Itens cuja falta pode parar um veículo ou equipamento essencial e que possuem:
- Alto consumo;
- Grande impacto operacional;
- Prazo maior de reposição;
- Poucas alternativas.
Classe B — importantes
Itens com consumo regular e boa disponibilidade.
Classe C — ocasionais
Medidas de baixo consumo ou equipamentos pouco utilizados.
Essa classificação ajuda a decidir:
- Estoque mínimo;
- Estoque de segurança;
- Prioridade de negociação;
- Fornecedor alternativo;
- Frequência das cotações.

Etapa 3 — Criar uma especificação técnica padrão
Depois de conhecer a frota, crie uma ficha para cada aplicação.
Para pneus de carga
Registre:
- Medida;
- Construção;
- Índice mínimo de carga;
- Índice mínimo de velocidade;
- PR ou Load Range quando aplicável;
- TL ou TT;
- Posição;
- Aplicação;
- Tipo de banda;
- Requisitos de recapagem, quando relevantes.
Para pneus agrícolas
Inclua:
- Medida;
- R-1, R-1W, R-2, R-3 ou R-4;
- Radial ou diagonal;
- PR;
- Índice de carga;
- Pressão;
- Circunferência de rolamento, quando relevante;
- IF/VF quando aplicável.
Para pneus OTR
Inclua:
- Medida;
- Máquina;
- L/E/G/C;
- L-2, L-3, L-4, L-5 ou outra classificação;
- PR ou Star Rating;
- TL/TT;
- Ciclo;
- Terreno;
- Necessidade de resistência a cortes ou calor.
Para industriais
Defina:
- Medida;
- Pneumático, maciço ou superelástico;
- Capacidade;
- Piso;
- Turnos;
- Uso interno ou externo;
- Necessidade de versão não marcante.
Especificar demais também pode ser um problema
Uma especificação deve garantir a necessidade técnica sem restringir artificialmente opções equivalentes.
Por exemplo, em vez de solicitar:
Marca X, modelo Y.
quando não existe justificativa operacional para exclusividade, pode ser melhor definir:
Pneu 295/80R22.5, radial, TL, para eixo direcional, índice de carga mínimo X, velocidade mínima Y e aplicação rodoviária.
Dessa forma, diferentes fornecedores podem apresentar produtos tecnicamente comparáveis.
Depois a empresa avalia:
- Marca;
- Histórico;
- Garantia;
- CPK;
- Disponibilidade.
Etapa 4 — Verificar os requisitos regulatórios aplicáveis
Para pneus novos abrangidos pela regulamentação brasileira, a Portaria Inmetro nº 379/2021 consolida os requisitos técnicos e de avaliação da conformidade.
As marcações exigidas incluem informações como:
- Marca;
- Dimensão;
- Construção;
- Capacidade;
- Velocidade;
- Indicadores de desgaste;
- Data de fabricação;
- País de fabricação.
Essas informações são úteis inclusive durante o recebimento do produto.
Atenção às aplicações fora de estrada
Nem todos os pneus seguem o mesmo escopo regulatório.
O Inmetro informa que produtos fabricados exclusivamente para uso fora de vias públicas, incluindo máquinas, implementos e equipamentos agrícolas, estão entre as exclusões previstas na regulamentação geral de pneus novos.
Portanto, uma política corporativa de compras precisa diferenciar:
- Pneus rodoviários;
- Agrícolas;
- OTR;
- Industriais especiais.
Não faz sentido exigir exatamente a mesma documentação técnica para todos os segmentos.
Etapa 5 — Padronizar a solicitação de cotação
Este é um ponto simples que pode melhorar muito o processo.
Não envie para um fornecedor:
“Me passa preço de pneu de caminhão.”
Envie uma RFQ — solicitação de cotação — padronizada.
Exemplo
Produto: Pneu de carga
Medida: 295/80R22.5
Aplicação: eixo de tração
Operação: rodoviária/regional
Quantidade: 12 unidades
Entrega: Salvador/BA
Informar:
- Marca;
- Modelo;
- Índice de carga;
- Índice de velocidade;
- PR;
- TL/TT;
- Aplicação recomendada;
- Disponibilidade;
- Prazo de entrega;
- Valor unitário;
- Condição comercial;
- Garantia;
- Frete;
- Validade da proposta.
Agora todas as propostas chegam com uma estrutura mais comparável.

Etapa 6 — Homologar fornecedores
Preço não deve ser o único critério para escolher um fornecedor B2B.
Analise:
Procedência
O fornecedor emite nota fiscal e possui identificação empresarial clara?
Conhecimento técnico
Ele consegue diferenciar:
- Direcional;
- Tração;
- Misto;
- L-2;
- L-3;
- Pneumático;
- Maciço?
Ou simplesmente fornece qualquer produto da medida solicitada?
Disponibilidade
Possui estoque ou acesso regular às medidas estratégicas?
Tempo de resposta
Uma operação profissional não pode depender de dias para receber uma cotação simples.
Prazo de entrega
O prazo real atende à operação?
Garantia
Existe procedimento definido para análise?
Portfólio
Há alternativas em diferentes faixas de investimento?
A Fama Pneus informa atualmente um catálogo que inclui pneus de carga, agrícolas, OTR, industriais e passeio, além de câmaras, protetores e outros componentes; o site também informa mais de oito anos de atuação e entregas para diferentes regiões da Bahia.
Crie pelo menos um fornecedor alternativo
Depender de uma única fonte aumenta o risco de:
- Falta de estoque;
- Prazo elevado;
- Preço pouco competitivo;
- Descontinuação de modelos.
Mesmo quando existe um fornecedor principal, é recomendável manter alternativas homologadas para medidas críticas.
Isso não significa comprar sempre do mais barato.
Significa possuir opções quando o fornecedor principal não consegue atender.
Etapa 7 — Não compare propostas apenas pelo valor unitário
Imagine três propostas.
Ainda não sabemos qual é a melhor compra.
Precisamos acrescentar:
- Índices;
- Aplicação;
- Desenho;
- Garantia;
- Histórico;
- CPK;
- Carcaça;
- Disponibilidade futura.
Somente depois teremos uma comparação real.
Leia também:
Como comparar pneus antes da compra
Etapa 8 — Separar critérios eliminatórios de critérios classificatórios
Esta é uma das melhores maneiras de estruturar uma compra.
Critérios eliminatórios
Se não atender, o produto sai da análise.
Exemplos:
- Medida;
- Capacidade;
- Construção;
- Roda;
- Posição;
- Aplicação;
- Requisito regulatório aplicável.
Critérios classificatórios
Servem para escolher entre os produtos aprovados.
Exemplos:
- Preço;
- Garantia;
- Disponibilidade;
- Prazo;
- Histórico;
- CPK;
- Carcaça;
- Condição comercial.
Exemplo de matriz empresarial
O modelo pode ser adaptado à realidade da empresa.
Etapa 9 — Homologar novos modelos com testes
Quando uma empresa recebe uma opção nova com preço interessante, não precisa escolher entre dois extremos:
“não compro porque não conheço”
ou
“troco toda a frota de uma vez”.
Existe uma terceira alternativa:
Teste controlado
Comece com uma quantidade pequena.
Registre:
- Veículo;
- Posição;
- Data;
- Quilometragem;
- Profundidade inicial;
- Pressão;
- Marca;
- Modelo;
- Número de identificação.
Depois acompanhe:
- Quilometragem;
- Profundidade;
- Desgaste;
- Reparos;
- Ocorrências;
- Motivo da retirada;
- Carcaça.
O teste precisa utilizar condições semelhantes
Evite comparar:
- Um pneu em rota leve;
- Outro em operação severa.
Quanto mais semelhantes forem:
- Veículos;
- Cargas;
- Rotas;
- Posições;
mais útil será o resultado.

Etapa 10 — Negociar o pacote completo, não apenas o preço
Em uma compra B2B, existem diversos pontos comerciais.
Compare:
- Valor unitário;
- Frete;
- Prazo;
- Disponibilidade;
- Quantidade mínima;
- Forma de pagamento;
- Faturamento;
- Validade da proposta;
- Garantia;
- Atendimento;
- Reposição.
Uma diferença pequena de preço pode perder importância quando um fornecedor possui:
- Produto disponível imediatamente;
- Atendimento rápido;
- Entrega programada;
- Garantia organizada.
Exemplo
Fornecedor A:
R$ 1.000
Prazo:
15 dias
Fornecedor B:
R$ 1.030
Pronta entrega.
Se o veículo está parado, os R$ 30 de diferença podem ser irrelevantes diante do custo da indisponibilidade.
Calcule o custo de uma máquina parada
Especialmente em:
- Mineração;
- Construção;
- Agricultura;
- Transporte;
- Centros logísticos;
o impacto da indisponibilidade pode superar rapidamente a diferença de preço entre pneus.
Pergunte:
Quanto custa uma hora deste equipamento sem produzir?
Depois compare esse valor com:
-
Diferença entre fornecedores;
-
Frete;
-
Estoque de segurança;
-
Prazo.
Isso ajuda a definir quais medidas merecem pronta disponibilidade.
Etapa 11 — Formalizar o pedido
Depois da aprovação, o pedido deve registrar claramente:
- Produto;
- Marca;
- Modelo;
- Medida;
- Quantidade;
- Valor;
- Impostos conforme aplicável;
- Frete;
- Local de entrega;
- Prazo;
- Condição de pagamento;
- Dados para faturamento;
- Responsável;
- Observações técnicas.
Evite pedidos empresariais baseados apenas em mensagens como:
“Pode mandar os oito.”
Quanto maior a operação, mais importante é a rastreabilidade.
Etapa 12 — Conferir o recebimento
A compra não termina quando o caminhão do fornecedor chega.
A empresa precisa conferir.
Verifique a nota
Compare:
- Produto;
- Quantidade;
- Marca;
- Modelo;
- Medida;
- Valor.
Verifique fisicamente os pneus
Observe:
- Medida;
- Índices;
- PR;
- TL/TT;
- Modelo;
- Construção;
- Danos;
- Deformações;
- Identificação.
Nos pneus abrangidos pela regulamentação, as marcações obrigatórias incluem dados como marca, dimensão, construção, índice de velocidade, capacidade, data e país de fabricação, o que também auxilia na conferência de recebimento.
Confira a quantidade
Parece básico, mas erros de:
- Unidade;
- Par;
- Jogo;
- Kit;
podem acontecer.

Crie um checklist de recebimento
- Quantidade correta;
- Marca correta;
- Modelo correto;
- Medida correta;
- Índice de carga correto;
- Índice de velocidade correto;
- PR correto;
- TL/TT correto;
- Aplicação correta;
- Sem danos visíveis;
- Nota fiscal correspondente;
- Identificações legíveis;
- Garantia/documentação recebida;
- Entrada registrada no estoque.
Etapa 13 — Identificar cada pneu
Para uma empresa, um pneu não deve ser apenas:
“o XBRI da carreta”.
O ideal é possuir uma identificação interna.
Exemplo:
PN-002381
A ficha desse pneu pode guardar:
- Marca;
- Modelo;
- Medida;
- Compra;
- Fornecedor;
- Valor;
- Data;
- Número do documento;
- Veículo;
- Posição;
- Quilometragem inicial;
- Profundidade.
Quando ele sair da operação, você saberá exatamente:
- Quanto rodou;
- Quanto custou;
- Por que foi retirado.
Etapa 14 — Controlar o estoque
O estoque precisa equilibrar dois riscos.
Estoque insuficiente
Pode gerar:
-
Veículo parado;
-
Compra emergencial;
-
Frete caro;
-
Produto diferente do padronizado.
Estoque excessivo
Pode gerar:
-
Capital parado;
-
Ocupação de espaço;
-
Modelo sem utilização;
-
Perda de padronização;
-
Dificuldade de controle.
Estoque mínimo
Uma forma simples é considerar:
consumo médio × tempo de reposição + margem de segurança
Exemplo:
Consumo:
8 pneus/mês
Prazo médio:
15 dias
Consumo durante esse prazo:
aproximadamente 4 pneus
A empresa pode definir um estoque de segurança adicional conforme a criticidade.
Não existe uma quantidade universal.
Faça inventários periódicos
Compare:
estoque físico x estoque do sistema
Investigue divergências.
Pneus representam valores elevados e precisam de controle semelhante a outros ativos da manutenção.
Etapa 15 — Armazenar corretamente
O estoque deve ser:
- Coberto;
- Seco;
- Ventilado;
- Limpo;
- Protegido do sol;
- Longe de produtos químicos;
- Longe de óleo e combustíveis;
- Organizado por medida.
Também mantenha identificação clara de:
- Marca;
- Modelo;
- Medida;
- Data de entrada;
- Destino.
Uma organização adequada reduz erros de retirada.
Etapa 16 — Controlar a montagem
Depois que o pneu sai do estoque, registre:
- Data;
- Veículo;
- Placa;
- Eixo;
- Posição;
- Quilometragem;
- Profundidade inicial;
- Pressão;
- Responsável.
Sem esses dados, torna-se impossível medir corretamente o desempenho.
Etapa 17 — Não perca o histórico quando mover o pneu
Em frotas, pneus podem mudar de:
- Veículo;
- Eixo;
- Posição.
O histórico precisa acompanhar o pneu, não apenas o veículo.
Exemplo:
PN-002381
- 40.000 km no eixo direcional;
- Transferido para eixo livre;
- Rodou mais 30.000 km;
- Retirado para recapagem.
Vida inicial total:
70.000 km
Sem rastreabilidade, parte dessa história pode desaparecer.
Etapa 18 — Avaliar o desempenho
A compra precisa gerar aprendizado.
Quando o pneu sair, registre:
- Quilometragem;
- Horas, quando aplicável;
- Profundidade;
- Motivo da retirada;
- Reparos;
- Estado da carcaça;
- Destino.
Os principais motivos podem ser:
- Desgaste normal;
- Corte;
- Perfuração;
- Impacto;
- Desgaste irregular;
- Separação;
- Baixa pressão;
- Acidente;
- Carcaça perdida.
Etapa 19 — Calcular o CPK
Para pneus rodoviários, um dos indicadores mais úteis é o custo por quilômetro.
Fórmula simplificada
CPK = custo líquido ÷ quilometragem
Exemplo:
Compra:
R$ 2.000
Quilometragem:
80.000 km
CPK:
R$ 0,025/km
Compare com outro pneu:
Compra:
R$ 1.700
Quilometragem:
55.000 km
CPK:
R$ 0,0309/km
O segundo custou menos inicialmente.
Mas apresentou custo por quilômetro maior.
Para uma análise mais completa podem entrar:
- Reparos;
- Montagem;
- Recapagens;
- Valor residual;
- Carcaça.
Nem toda empresa deve usar quilômetro
Dependendo da operação, outro indicador pode ser melhor.
Agrícola
- R$/hora;
- R$/hectare;
- Horas por milímetro.
OTR
- R$/hora;
- R$/tonelada;
- R$/ciclo.
Industrial
- R$/hora;
- Vida em turnos;
- Custo por movimentação.
O indicador precisa acompanhar a produtividade da máquina.

Etapa 20 — Avaliar a carcaça
Para caminhões e ônibus, o valor do pneu pode continuar depois da primeira vida.
Registre:
- Carcaça aprovada;
- Reprovada;
- Motivo;
- Número de recapagens;
- Custo das reformas;
- Quilometragem das vidas seguintes.
Imagine:
Modelo A
- Boa quilometragem;
- 90% das carcaças aproveitáveis.
Modelo B
- Quilometragem semelhante;
- 50% aproveitáveis.
Essa diferença pode alterar significativamente o custo total.
Etapa 21 — Faça reuniões periódicas entre manutenção e compras
Compras sabe:
- Preço;
- Prazo;
- Fornecedor;
- Condições.
Manutenção sabe:
- Desgaste;
- Falhas;
- Aplicação;
- Carcaça.
Operação sabe:
- Rota;
- Carga;
- Motorista;
- Severidade.
Essas informações precisam se encontrar.
Uma reunião trimestral pode analisar:
- Modelos comprados;
- CPK;
- Retiradas prematuras;
- Estoque;
- Fornecedores;
- Novos testes.
Os indicadores mais úteis para compras de pneus
1. CPK médio
Quanto o pneu custa por quilômetro.
2. Quilometragem média
Quanto cada modelo trabalha.
3. Taxa de retirada prematura
Percentual perdido antes do desgaste planejado.
4. Taxa de carcaças aprovadas
Especialmente importante em carga.
5. Compras emergenciais
Quanto do volume foi comprado sem planejamento.
6. Falta de estoque
Quantas vezes um veículo ficou aguardando produto.
7. Prazo médio do fornecedor
Tempo entre pedido e entrega.
8. Índice de atendimento do fornecedor
Percentual das demandas atendidas dentro do prazo.
9. Economia negociada
Diferença obtida em negociações, sem perder a qualidade técnica.
10. Mix de modelos
Quantidade de modelos diferentes utilizados na mesma aplicação.
Cuidado com a falsa economia de compras
Uma equipe de compras pode celebrar:
“Economizamos 10% no valor do pneu.”
Mas se o produto apresentar:
-
20% menos vida;
-
Mais paradas;
-
Mais reparos;
-
Pior carcaça;
a empresa não economizou.
Ela apenas pagou menos na entrada.
Economia real precisa aparecer no custo da operação.
Padronizar pneus ajuda?
Pode ajudar bastante.
Uma padronização bem feita facilita:
- Estoque;
- Treinamento;
- Compra;
- Comparação;
- Pareamento;
- Gestão;
- Recapagem.
Mas padronizar não significa utilizar uma única marca em toda a empresa.
Diferentes operações podem precisar de produtos diferentes.
Exemplo:
- Linha rodoviária;
- Linha mista;
- Operação severa;
- Máquinas.
A padronização deve acontecer por aplicação.
Tenha uma lista de produtos homologados
Em vez de liberar qualquer produto, crie uma lista.
Exemplo
295/80R22.5 — Direcional rodoviário
Homologados:
- Produto A;
- Produto B;
- Produto C.
295/80R22.5 — Tração
Homologados:
- Produto D;
- Produto E.
Compras pode negociar entre essas opções.
Se surgir um novo modelo:
entra primeiro em teste.
Quando usar contrato ou negociação de volume?
Compras programadas podem trazer vantagens quando existe:
- Consumo previsível;
- Grande volume;
- Medidas padronizadas;
- Histórico confiável.
A negociação pode considerar:
- Preços por faixa de quantidade;
- Entregas parceladas;
- Estoque reservado;
- Prazo;
- Frete;
- Garantia;
- Faturamento;
- Calendário de compras.
Evite receber todo o volume sem necessidade
Mesmo quando negociar 100 pneus, pode fazer sentido receber:
- 20 por mês;
- 25 por entrega;
- Conforme consumo.
Isso reduz a necessidade de espaço e capital imobilizado, desde que o acordo de fornecimento seja confiável.
Compra programada x compra emergencial
Programada
A empresa consegue:
- Comparar;
- Negociar;
- Testar;
- Padronizar;
- Escolher prazo.
Emergencial
A prioridade vira:
disponibilidade imediata.
Isso pode reduzir:
- Opções;
- Poder de negociação;
- Tempo para avaliação.
Por isso, um bom indicador é:
Percentual de compras emergenciais
Exemplo:
100 pneus comprados no trimestre.
30 por emergência.
30% das compras foram emergenciais.
A meta deve ser reduzir esse percentual.
Processo resumido de compra empresarial
1. Identificar a necessidade
Qual veículo ou equipamento?
2. Especificar
Medida, capacidade, posição e aplicação.
3. Consultar estoque
Já existe produto disponível?
4. Solicitar cotação
Utilizar formulário padrão.
5. Validar tecnicamente
Eliminar incompatíveis.
6. Comparar comercialmente
Preço, prazo, garantia e disponibilidade.
7. Aprovar
Conforme alçada da empresa.
8. Emitir pedido
Formalizar.
9. Receber
Conferir documento e produto.
10. Registrar
Dar entrada e rastrear.
11. Montar
Registrar posição e quilometragem.
12. Monitorar
Pressão, desgaste e ocorrências.
13. Retirar
Registrar motivo.
14. Calcular resultado
CPK, horas, carcaça.
15. Atualizar homologação
Comprar novamente ou procurar alternativa.

Checklist para homologar um fornecedor de pneus
- Empresa identificada;
- Emissão de nota fiscal;
- Portfólio compatível com a frota;
- Conhecimento técnico;
- Procedência dos produtos;
- Garantia;
- Disponibilidade;
- Prazo de entrega;
- Atendimento comercial;
- Capacidade de cotação rápida;
- Condições comerciais claras;
- Frete definido;
- Suporte pós-venda;
- Possibilidade de reposição;
- Histórico de atendimento.
Checklist antes de emitir o pedido
- Medida correta;
- Marca e modelo aprovados;
- Aplicação correta;
- Índice de carga;
- Índice de velocidade;
- PR/Load Range;
- TL/TT;
- Quantidade;
- Valor;
- Prazo;
- Frete;
- Local de entrega;
- Dados de faturamento;
- Forma de pagamento;
- Garantia;
- Responsável pela aprovação.
Checklist após o recebimento
- Conferir nota fiscal;
- Conferir quantidade;
- Conferir medida;
- Conferir marca;
- Conferir modelo;
- Conferir índices;
- Conferir PR;
- Conferir TL/TT;
- Inspecionar danos;
- Registrar entrada;
- Identificar produto;
- Armazenar corretamente;
- Atualizar estoque.
Erros comuns na compra de pneus empresariais
Comprar apenas pelo menor preço
Ignora desempenho e custo total.
Pedir somente pela medida
Pode resultar em aplicações completamente diferentes.
Não informar o eixo
Principalmente em caminhões.
Não informar a máquina
Muito comum em OTR e agrícola.
Trocar de modelo em toda compra
Dificulta comparação e padronização.
Não ter fornecedor alternativo
Aumenta risco de falta.
Não controlar o estoque
Gera excesso ou emergência.
Não registrar a montagem
Impede calcular o desempenho.
Não registrar o motivo da retirada
A empresa não aprende com as perdas.
Não acompanhar CPK
Preço continua sendo o principal indicador.
Comprar grande quantidade sem testar
Pode criar um estoque de um produto inadequado.
Comparar produtos tecnicamente diferentes
Parece uma concorrência de preço, mas não é.
Manter manutenção e compras isoladas
Uma área conhece o custo e a outra conhece o desempenho.
As duas precisam compartilhar informações.
Perguntas frequentes
1 - Como uma empresa deve comprar pneus?
O processo deve começar pela necessidade operacional, passar pela especificação técnica, cotação, comparação, aprovação e recebimento e terminar com o acompanhamento do desempenho.
2 - O setor de compras pode decidir apenas pelo preço?
Não é recomendável.
Preço precisa ser analisado entre produtos que já atendam aos requisitos técnicos.
3 - Quais informações precisam estar em uma cotação?
No mínimo:
- Medida;
- Aplicação;
- Quantidade;
- Marca;
- Modelo;
- Índices;
- PR;
- Valor;
- Prazo;
- Disponibilidade;
- Garantia;
- Frete.
4 - Quantos fornecedores uma empresa deve ter?
Não existe um número universal.
Mas medidas críticas não deveriam depender exclusivamente de uma única fonte sem um plano alternativo.
5 - Vale padronizar uma marca?
Pode valer, mas a padronização deve partir do desempenho na aplicação.
Não é obrigatório utilizar uma única marca em toda a frota.
6 - Como homologar uma nova marca?
Faça uma análise técnica e, em operações relevantes, utilize um teste controlado antes de ampliar o volume.
7 - O pneu mais barato é o melhor para uma frota?
Não necessariamente.
O melhor resultado deve considerar custo por quilômetro, durabilidade, carcaça, paradas e disponibilidade.
8 - O que é CPK?
É o custo por quilômetro do pneu.
Ele ajuda a comparar o valor pago com a distância efetivamente obtida.
9 - Devo manter pneus em estoque?
Para medidas críticas, pode ser vantajoso manter estoque de segurança.
A quantidade depende do consumo, do prazo de reposição e da criticidade.
10 - Como calcular estoque mínimo?
Pode-se utilizar consumo médio, prazo de reposição e uma margem de segurança adaptada ao risco da operação.
11 - Como evitar compras emergenciais?
Mapeie consumo, estoque, desgaste e previsão de substituições.
12 - Como saber quando os pneus serão necessários?
A medição periódica da banda e a quilometragem permitem projetar uma data provável de retirada.
13 - Como escolher um fornecedor?
Avalie:
- Produto;
- Procedência;
- Conhecimento;
- Disponibilidade;
- Prazo;
- Garantia;
- Atendimento;
- Condições comerciais.
14 - Pneus OTR e agrícolas precisam seguir os mesmos critérios de pneus rodoviários?
Não.
O Inmetro prevê exclusões no escopo geral para determinados pneus destinados exclusivamente ao uso fora de vias públicas, incluindo máquinas e implementos agrícolas.
15 - Como receber pneus corretamente?
Confira documento, quantidade, medida, modelo, índices, condição e identificações antes de registrar a entrada.
16 - Como avaliar o fornecedor depois da compra?
Acompanhe:
- Prazo;
- Atendimento;
- Divergências;
- Garantias;
- Disponibilidade;
- Desempenho dos produtos fornecidos.
17 - Vale comprar pneus de marcas diferentes?
Pode valer.
Desde que sejam tecnicamente compatíveis com a aplicação e façam parte de uma estratégia controlada.
18 - Como comparar marcas antes da compra?
Leia:
Como avaliar uma marca de pneu antes de comprar
19 - Como comparar dois modelos?
Leia:
Como comparar pneus antes da compra
Exemplo de política interna de compra de pneus
Uma empresa poderia estabelecer:
1. Pneus só podem ser comprados a partir de uma especificação cadastrada
Nada de comprar apenas por aro ou medida incompleta.
2. Produtos precisam estar homologados
Novas alternativas passam por avaliação.
3. Toda compra compara no mínimo critérios técnicos e comerciais
Não apenas preço.
4. Toda entrada é registrada
Fornecedor, custo, identificação e data.
5. Toda montagem é registrada
Veículo, posição e quilometragem.
6. Toda retirada recebe um motivo
Desgaste, corte, impacto, falha etc.
7. O desempenho volta para compras
Modelos com resultados ruins são reavaliados.
Isso cria um ciclo de melhoria.
Como a Fama Pneus atende compras empresariais
Para uma cotação B2B mais assertiva, a empresa pode enviar:
- CNPJ para identificação comercial;
- Medidas;
- Quantidades;
- Veículos ou máquinas;
- Eixos;
- Aplicação;
- Cidade de entrega;
- Prazo necessário.
A Fama Pneus mantém atualmente catálogo com pneus de carga, agrícolas, OTR, industriais e passeio, além de câmaras de ar, protetores e artigos de borracharia.
O site informa atuação há mais de oito anos e estrutura comercial em Salvador, na região da BR-324, Valéria.
Para uma compra empresarial, nossa recomendação é enviar não apenas a medida, mas também:
medida + aplicação + quantidade + equipamento + cidade.
Isso permite apresentar opções realmente comparáveis.
Consulte os pneus disponíveis ou fale com nossa equipe pelo canal de contato.
Fama Pneus, a sua melhor solução.
